quarta-feira, 29 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
O Mundo Coberto de Penas
Mas não tinha voz
O que falar?
Bruto não fala
Bicho não fala
Fabiano não fala
Um grito corta o silêncio rotineiro
A noite se esvai, assim como o grito
E nada muda
O mundo está coberto de penas
Ô dó!
Fiz esse poema ano passado, quando li Vidas Secas, do Graciliano Ramos. O livro me marcou, assim como seus personagens. Aliás, o título "O Mundo Coberto de Penas" era o título original do livro e o nome de um capítulo. Agradeço à minha antiga professora de Literatura, Gisele, por ter recomendado a leitura.
domingo, 19 de junho de 2011
PA (lavras) RA LEMBRAR!

Gravarei essa imagem para sempre, pois temo que possa esquecê-la um dia.
Lá fora, tudo está escuro. Mas não um escuro assustador... apenas escuro, como uma noite fria de outono deveria estar. As pequenas e numerosas estrelas sorriem felizes por prevalecerem quando a lua se esconde. Uma noite bela, antecedida por um dia belo. O sol brilhou forte, e enquanto eu estudava em um lençol estirado na grama, fez questão de ferir a minha pele, que por incrível que pareça, passou de jambo para vermelha, num gesto de protesto aos maus tratos.
Analiso o ambiente em que me encontro. Dentro da calma escuridão, brilha através das frestas das janelas uma luzinha amarelada e simpática, que transmite o aconchego presente no interior da casinha simples e antiga. Na sala repleta de cores, livros e fotografias, minha mãe e meu irmão caçula assistem noticiário, agradecendo o entretenimento de cada dia. Com a porta lilás fechada, o som fica abafado, o que permite que minha concentração não falhe, O quarto está na constante desordem: roupas sujas em um canto, limpas no outro; gavetas abertas e, sobre todas as superfícies possíveis, desde a cômoda até a parte de cima do beliche, uma anarquia de cosméticos, acessórios, livros e objetos interessantes (dentre eles um rádio-relógio, uma xícara vazia, um disco dos Beatles, fotos dos mesmos, uma luminária com a cara do “Pânico” e três berrantes.).
Obviamente a cama está desarrumada, e é sobre ela que estou neste exato momento escrevendo quando deveria estar estudando físico-química. Aliás, eu comecei a escrever após me olhar no espelho oval e concluir que daqui a 10 anos eu serei extremamente diferente. E essa diferença vindoura me assusta um pouco. Um dia acordarei e não terei mais blusões masculinos, unhas azuis, cabelos desgrenhados e pulseirinhas praianas apodrecendo em meus pulsos. Eu não terei mais o casaco do meu ex-namorado (que, aliás, preciso devolver!), não tomarei xícaras e xícaras de café para que o sono não atrapalhe os meus estudos, não serei tão desorganizada e muito menos deitarei no sol até que minha pele proteste, pois temerei as rugas. Não ligarei para casa pedindo dinheiro para o ônibus e não ficarei horas e horas refletindo sobre o que será de mim quando eu crescer. Porque um dia, eu vou estar “crescida”. E o que me conforta é que eu sempre terei o meu cantinho aconchegante em meio à escuridão, repleto de amor, carinho e palavras. Palavras para escrever, para ler e para permanecerem caladas quando necessário. Palavras transmitidas por gestos e olhares, e palavras que me recordem o quão jovem e tola eu fui, o quanto eu amei e fui amada.
Será que as palavras serão o meu pão de cada dia? Eu realmente espero que sim. Mas se não forem, já estarão fazendo seu papel mais importante. A cada palavra proferida, um pedaço de mim se faz registrado...
A delícia do viver se resume nisso, não? Fazer a própria história e se tornar um marco na história alheia!
Beijinhos, Hara ;*
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Learning to Fly
Lucy, certa manhã, decidiu que ia provar a seus pais que estavam errados, e que quando ela se jogasse de sua janela, no 8º andar, suas asas iam aparecer e ela iria voar.
No entanto, ela estava no mundo real, um mundo cinza e poluído, muito diferente dos seus sonhos. Era impossível algo tão belo como asas serem dadas a humanos que não compreendem a beleza do vôo e da natureza em si.
E Lucy em sua ilusão infantil e ingênua, pulou da janela de seu quarto, sentiu o vento bater em seu rosto e esperou as suas asas aparecerem... Ela fechou os olhos e acordou em um mar de nuvens feitas de algodão, voando... Muito longe de seus pais, e do mundo cinza no qual viveu por 5 anos.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Atè parece cena de filme!


domingo, 15 de maio de 2011
Lamento perdido

Queria dizer por meio dessas palavras,
Talvez meio erradas ou mal empregadas,
Pedindo toda paciência e vosso perdão
Sendo eu nada mais que um tosco escrivão,
Pois talvez eu não saiba falar tão bonito,
Talvez meu sussurro saia mais como um grito
Ou quem sabe um clamor incerto, errado
Que tenta ser belo, mas sai desafinado
E dá de poeta sem nem saber rimar
Se esquece das métricas, nem sabe contar
Dizer uns segredos que vi pelo mundo
Mas são proibidas palavras dum vagabundo
E mesmo assim, em poesia rimado
O grito é preso e o julgam culpado
Agora marcado perdeu-se escondido
Chorando desgraças do lamento perdido
E apenas atrás dessas marcas do tempo
Nesses olhos sem endereço, sem documento,
É que podem encontrá-lo apertado e aflito,
O sussurro, o clamor, o segredo, meu grito.
sábado, 23 de abril de 2011
The Sound of Muzak
Quando eu ouvi pela primeira vez a música Solitary Shell, do Dream Theater, eu comecei a chorar. E é assim, sempre que ouço uma música boa e presto atenção nela, tenho alguma reação catártica. Músicas boas realmente mexem comigo.
Além disso, música pra mim é terapia. Se eu estou triste, eu já sei quais músicas me farão me sentir melhor, quando estou cansada, ou alegre, com sono... Quando estou irritada, por exemplo, o melhor remédio de todos é Led Zeppelin. Renaissance também ajuda. Mas há algo que está além de tudo isso: The Beatles. Eles têm músicas pra qualquer mudança no meu humor, e sempre me fazem bem, SEMPRE... Eu poderia continuar por horas falando sobre Beatles e como suas músicas me influenciam e me fazem bem, mas ninguém quer saber isso.
É incrível como a música tem um poder social, a exemplo da Ditadura Militar no Brasil, onde músicas eram censuradas por falar, ou melhor, cantar a verdade. E não só nesse período a música teve um importante papel social, ela sempre teve e sempre terá. Portanto sou a favor de qualquer tipo de manifestação musical, seja ela boa ou ruim. Não é porque eu não aprecio que devo criticar quem gosta, e muito menos quem faz. Não queremos que a música se torne algo obsoleto, a música deve ser algo encantador, deve trazer coisas boas, portanto se o que você não gosta agrada alguém, aquilo não deve ser menosprezado.
Ouça o que lhe faz bem, e recomende a quem você gosta, mas ninguém tem o direito de te criticar pelo que você gosta, assim como você também não tem esse direito. O mundo estaria bem melhor se todos se respeitassem assim, não só quanto à música, mas em qualquer âmbito social.
Um conselho: Ouçam The Sound of Muzak, do Porcupine Tree (:
domingo, 3 de abril de 2011
Flores não pagam contas

Quando criança, desejava cultivar flores, mas crescera aprendendo que essa não era uma idéia prática. Na escola vira muitos números, aprendera a resolver as mais diversas equações, mas nunca nada sobre o cultivo das flores. Com todos os seus números se formou, e começou a trabalhar no que não gostava para ganhar dinheiro e gastar no que não precisava.
Se mantinha bem informado e assistia todos os dias ao noticiário, ouvia as notícias sobre a falta de água, sobre as pessoas que matavam por não ter o que fazer, as que roubavam por não ter o que comer e as que morriam por não ter onde viver. Paciente armazenava todas essas tristes realidades em alguma gaveta do seu cérebro e esperava, com um pontinho de esperança, alguma notícia sobre as flores.
No escritório concentrava-se em seus números, com a cortina sempre fechada (pois o sol atualmente era um inimigo em potencial com todos os seus raios UVB e UVA) e o ventilador ligado (o único vento no rosto que podia ter). Seguia com sua rotina estável e sua vida “confortável”. Comemorava sorrindo com falsa alegria todas as vezes que trinta e um de dezembro virava primeiro de janeiro sabendo em seu íntimo que novo naquele ano seria só o nome e alguns números. E de fato tudo permanecia igual. As vezes se desesperava e chorava pensando que já era hora de mudar tudo aquilo, mas logo as contas chegavam... as flores não pagam contas, era preciso preocupar-se com futuro.
De preocupar-se com o futuro logo o viu chegar, e já aposentado pensou com saudade em suas flores, mas velho como estava? Era melhor deixar as flores e as idéias sonhadoras para os jovens, para ele restavam os “confortos” da vida que cultivou e o noticiário, que havia se tornado seu companheiro fiel e agora só falava na tal da sustentabilidade, tão longe havia chegado os homens com seus números.
"Somos feitos de carne mas temos que viver como se fôssemos de ferro" Freud
sábado, 19 de março de 2011
Wet day
Chuva que lava
que destrói
que salva
chuva que traz vida.
Remédio para corpo e alma.
Que faz esquecer
mas fixa o que não deve ser apagado.
O rio que agora me transborda
chama-se Saudade.
Chuviscos de nostalgia
que me trazem alegria
e tristeza.
Mas apesar disso,
a chuva trouxe algo bom.
Ficará guardado
esse sentimento
Que é bonito e triste
feito pássaro engaiolado.
No entanto,
não estou presa.
Sou um pássaro longe do ninho
Um pássaro que voou.
